2    FORMAÇÃO


2.1 Pré-universitária

2.1.1 Cursos

2.1.1.1 Primário
Instituto de Educação "Caetano de Campos", 1957 a 1960 (P1 AZUL 1)

A antiga "Escola Modelo", onde toda a família da minha mãe havia estudado, inclusive ela própria, meu avô e eu mesmo, no Jardim da Infância.

2.1.1.2 Ginasial
Ginásio do Estado, 1961 a 1964 (P1 AZUL 2)

O "Caetano de Campos" era muito bom, mas meu pai fazia questão que o seu filho tivesse o melhor. E o melhor era o "Ginásio do Estado". Bons tempos em que as melhores escolas eram as públicas … Em 1962 o "Ginásio do Estado" incorporou uma escola municipal, na outra margem do Tamanduateí, e passou a chamar-se Colégio Estadual de São Paulo, CESP (bem antes de as companhias hidrelétricas do Estado se unificarem sob a mesma sigla).

2.1.1.3 Colegial (Científico)
Colégio Estadual de São Paulo, 1965 a 1967 (P1 AZUL 3)

O antigo Ginásio do Estado começava a mostrar os primeiros sinais do triste futuro que aguardava nossas escolas públicas. Ainda assim, meu pai afirmava para quem quisesse ouvir que eu seria aprovado na Escola Politécnica (para ele praticamente a única opção) mesmo sem cursinho preparatório. Eu não estava ansioso por demonstrar essa tese … preferia fazer acrobacias com rede de segurança.

2.1.1.4 Curso Preparatório para o exame vestibular
Curso Universitário, 1967

Felizmente a equipe do Universitário, talvez pensando o mesmo que meu pai, ofereceu bolsas de estudo a alguns bons alunos do Ginásio do Estado. Fiquei bem mais tranqüilo.

2.1.2 Distinções

Ganhei diversos prêmios nesse período, mas os mais significativos foram os dois do próprio Ginásio do Estado e o da Prefeitura de São Paulo.

2.2 Concursos Vestibulares

Sou grato até hoje ao Prof. Paulo Boulos pela sua questão de Matemática. Quase ninguém "enxergou" o seu parabolóide hiperbólico que, sem dúvida, foi essencial para compensar o meu desempenho pífio em Física (que nunca tive coragem de comentar com a minha professora do Ginásio do Estado, Dona. Bruna). Preferi a Escola Politécnica (pela sua reputação, o ITA me parecia um prolongamento do Ginásio do Estado em termos disciplinares …). Meus exames psicotécnicos haviam enfatizado bastante a Arquitetura. Resolvi ver como era. Tranquei matrícula ao final do primeiro semestre. A Poli era mais, digamos, cartesiana. A família sempre achara que eu seria advogado. Afinal, era a carreira que "abria as portas do mundo". Algumas amigas da São Francisco compraziam-se em dizer que, de fato, engenheiros eram muito limitados. Estudei nas férias, em Poços de Caldas, e prestei exame vestibular (o latim do Ginásio do Estado me foi precioso!). Diverti-me muito com o resultado, nem tanto com as aulas, no período noturno. Estavam todos errados. Minha vocação era a Engenharia Civil, que abria as portas de um universo fascinante.

2.3 Universitária

2.3.1 Cursos

2.3.1.1 Graduação
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Engenharia Civil, 1968 a 1972 (P1 AZUL 13-14)

2.3.1.2 Pós-Graduação
2.3.1.2.1 Mestrado em Engenharia de Estruturas na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo
  Prof. Souza Lima: foi nas suas aulas o meu primeiro contato formal com os elementos finitos. Professor Telêmaco: um verdadeiro mito!
2.3.1.2.2 Doutorado em Engenharia Geotécnica no "Massachusetts Institute of Technology"
  Meu co-orientador, a quem devo a minha iniciação na Dinâmica dos Solos, para a qual fui por ele conquistado apesar de eu ser, até então, absolutamente jejuno na matéria. Contratou-me para escrever resumos das suas aulas, pois cada uma delas estava sendo gravada em "videotape". O conjunto se transformou em um dos primeiros cursos em "videotape" do MIT e, imagino, lá deve estar disponível até hoje (não sei se me foi dado o crédito pelos resumos). Mas acima de tudo sinto-me próximo do Prof. Whitman pelo seu interesse primordial pelo ensino, que compartilhamos. Com o Greg começou o meu interesse pela Análise de Riscos e pelos riscos ambientais. Daniele, um rival à altura do Prof. Décio de Zagottis. Aulas magníficas, rigor conceitual, dedicação irrestrita. Suzanne, um protótipo de "workoholic". Seriedade absoluta. Há certas figuras que ficam bem melhor quando idealizadas. Pena que ele se recusasse a cogitar na possibilidade de a compressão secundária se processar simultaneamente com a primária. Erik, meu orientador: excelente pessoa, pesquisador eficiente, professor nem tanto. Roesset, outro professor da estirpe de Décio de Zagottis e Daniele Veneziano, mas com muito mais humor. Para ele há sempre duas formas de se resolver qualquer problema: "the graduate way" leva de forma inexorável e segura à solução correta, após peregrinação piedosa por cada um dos 243 passos consagrados nos livros de texto; "the undergraduate way" alcança o mesmo resultado com um pouco de engenhosidade e meia dúzia de operações inventivas.
2.3.1.3 Extensão
2.3.1.3.1 Escola Politécnica da USP (P1 AZUL 19)
Boas lembranças do pouco tempo em que convivemos …
2.3.1.3.2 MIT - "Massachusetts Institute of Technology"
Para o Allin não há problema difícil: tudo pode ser encaminhado suavemente em meia hora de prosa. Não admira que o seu livro, em co-autoria com o Jack Benjamin, seja o melhor para engenheiros civis interessados em modelos probabilistas. Herb: um grande caráter … e um cabelo invariavelmente muito despenteado na primeira aula da manhã (piorava durante o dia). Meu amigo Clóvis Ribeiro de Moraes Leme, então engenheiro da CESP em estágio no MIT, divertia-se a mais não poder. Connor, sempre uma boa soneca, trancado em seu "office", após o almoço. Já iam longe os tempos do ICES …

2.3.2 Distinções

Uma apendicite quase me excluiu da cerimônia de colação de grau. Poucos dias após a cirurgia, caminhei com dificuldade — mas muita satisfação — pelo palco do Anhembi, para receber essa láurea.
 

2.4 Línguas

Falo, entendo e escrevo fluentemente inglês e francês. Meu pai, que também falava bem as duas (além do árabe), insistia muito comigo para que eu tivesse uma boa pronúncia, especialmente em francês. Lembro-me sempre do Rex Harrison, em "My Fair Lady" cantando: "The frenchmen do not care what they do actually, provided they pronounce it properly". O fato é que sempre sou muito bem tratado na França.

O Inglês só ficou bom mesmo depois dos primeiros anos nos Estados Unidos.

Entendo italiano e espanhol.