Construção: Qual o critério geralmente utilizado para escolher a fundação de determinado projeto?

WH: A escolha é sempre feita atendendo a critérios técnicos e econômicos, levando em conta o perfil do subsolo, as cargas da edificação, a vizinhança. O conjunto solo-elemento de fundação (sapata, estaca, tubulão) deve garantir à edificação um comportamento satisfatório: deslocamentos pequenos e ampla margem de segurança contra ruína. Deve, além disso, ser exequível sem trazer perturbações aos vizinhos e a um custo compatível com o empreendimento.

Construção: Quais são e qual o grau de segurança oferecido pelas técnicas de sondagem mais utilizadas?

WH: Em geral só se utiliza a sondagem de simples reconhecimento, que inclui amostragem e ensaio padronizado de penetração (SPT). Outras técnicas já largamente utilizadas em outros países (CPT, CPTU, DMT, pressiômetro) são ainda pouquíssimo utilizadas no Brasil. Menos ensaios significam, obviamente, maiores incertezas. O nível de segurança não pode ser comprometido por essas incertezas maiores. Em conseqüência, os projetos resultam mais conservadores (e, conseqüentemente, mais onerosos).

Construção: Que ensaios tecnológicos avançados já são procedimento constante na construção civil brasileira?

WH: Em que pese a subjetividade do que se entende por "avançado" e por "constante", eu diria que a resposta é: nenhum.

Construção: Como a informática pode ajudar nos processos de projeto e execução? Torna-se mais comum o uso de softwares? Quais os mais utilizados?

WH: A informática é uma ferramenta apenas. Tem crescido a sua utilização em projeto e em execução, com resultados mistos. Como adverte o manual de um conhecido programa de análise de estabilidade de taludes: "a qualidade dos resultados obtidos depende fundamentalmente da qualidade da conceituação e da formulação do problema, bem como dos dados utilizados". Há abundância de "software" e, de maneira geral, deficiência de formação básica. Tornaram-se raros os memoriais de cálculo que discutem hipóteses de projeto e escolha de parâmetros (que é o que realmente importa), substituídos por relatórios padronizados de "softwares" (muitas vezes em outra língua que não o Português), às vezes com muitas figuras coloridas (freqüentemente nem isso ...), ou por planilhas eletrônicas impressas. A pretensão de utilizar simples planilhas eletrônicas impressas como memoriais de cálculo é nada menos do que surrealista. A planilha apresenta tão-somente dados de entrada e resultados, escondendo do leitor tudo o que realmente interessa: hipóteses, origem dos dados, formulação utilizada (e suas equações). É evidente, porém, que não se trata de uma deficiência da ferramenta, senão do usuário. Usuários que entendessem o conceito de um memorial de cálculo saberiam preparar suas planilhas adequadamente.

Construção: Os projetistas e a mão-de-obra disponíveis por aqui têm know-how suficiente para executar projetos? Há demandas para importação de outras tecnologias?

WH: Não nos falta competência (pelo menos potencialmente). Muitas vezes falta treinamento. Já vivemos períodos em que a competência esteve mais à mostra. Competência, assim como forma física e prontidão intelectual, só se constrói com exercício diuturno.

Construção: Qual a influência, hoje, do aspecto econômico?

WH: Enorme: a redução do ritmo de crescimento nas últimas décadas levou, por depressão da demanda, à desvalorização do trabalho do engenheiro. A sociedade vem indicando muito claramente ao engenheiro, nos últimos anos, a dimensão nua e crua da importância que atribui ao seu trabalho.

Construção: E a questão dos problemas causados por ruídos e riscos a outras construções durante a execução de certos tipos de fundações?

WH: Cabe ao projetista conhecer os condicionantes externos à sua obra e projetá-la (isto é, fazer suas escolhas) levando-os em conta.

Construção: As atuais normas técnicas atendem suficientemente o mercado em termos de segurança e especificação?

WH: O esforço de normalização e especificação deve ser contínuo. Há muito por fazer: muitas lacunas a serem preenchidas e imperfeições a serem corrigidas. Em 1999 foi constituída uma comissão com representantes da ABMS, da ABEF e da ABEG para traçar as diretrizes para a normalização do setor, no âmbito do CB-2 (COBRACON - Comitê Brasileiro da Construção Civil) da ABNT.

Construção: Como está evoluindo a área de recuperação de fundações existentes?

WH: A recuperação de fundações e a execução de subfundações desenvolve-se, de maneira geral, conjuntamente com o restante do setor, usufruindo obviamente das novidades tecnológicas introduzidas, principalmente quanto a equipamentos.

Construção: Quais as tendências para o futuro?

WH: Retomada de crescimento, aumento da demanda, valorização progressiva do trabalho do engenheiro, necessidade de investimentos em cursos de educação continuada e mestrado tecnológico, para treinamento dos profissionais da área.

 

Obs: No texto da Revista Construção fui indevidamente citado como presidente da ABMS, quando na verdade o meu cargo na diretoria da Associação é de vice-presidente.