Catedral de Florença

Catedral de Florença
Vista da Catedral
livro: "Brunelleschi"

   

      O crescimento das cidades permitiu o desenvolvimento de atividades como o comércio, artesanato e a ciência. Invenções como a pólvora, o relógio e o mapa-múndi aproximaram o ser humano das leis da natureza, desvendando-a e criando uma imagem crítica sobre ela. O início do Renascimento mostrou, além de uma crítica ao modo de viver da idade gótica, uma volta à antigüidade romana feita pelos humanistas, baseada no princípio de que o homem deveria ser "a medida de todas as coisas".

 

      Esse novo estilo, baseado em pensamentos humanistas, transformou os artistas, antes anônimos e considerados servos, em senhores, conhecedores da arte. Assim, quando em 1436 com o término da construção da cúpula da catedral de Florença, projetada por Fillipo Brunelleschi, o período Gótico dava lugar a um novo período, o Renascimento.

 

Cúpula da Catedral de Florença
Vista da cúpula da Catedral
livro: "Brunelleschi"

 

Catedral de Florença
Vista da Catedral
livro: "Brunelleschi"

 

     A Catedral de Florença teve sua construção iniciada em 1294 pelo projetista Arnolfo di Cambio e, após um século e meio com praticamente todas as obras já finalizadas, permaneceu sem sua cúpula principal. Presente no projeto original, a enorme cúpula de forma octogonal, construção a qual não tinha qualquer tipo de precedente, não tinha solução para sua execução. O suporte em timbres e armaduras de madeira, normalmente utilizado para estes fins, se tornou bastante inseguro frente ao grande peso e vão da cúpula (aproximadamente 39.5 metros) e, principalmente, bastante oneroso. Buscando uma solução para o projeto, foi anunciado, em 1418, um concurso entre os grandes estudiosos, arquitetos e projetistas.

 

      Muitas soluções apareceram, porém o concurso não obteve vencedor. Entre estas soluções, uma teve grande destaque, justamente a de Fillipo Brunelleschi, na qual a construção da cúpula poderia ser executada sem qualquer tipo de armadura de madeira, mas através da utilização de uma série de cocêntricos e autoportantes anéis em pedras (arenito) reforçados em sua parte externa com correntes de ferro. Desta forma esses anéis protegeriam a estrutura contra esforços laterais durante a fase de construção. Considerada por muitos uma solução inviável, esta solução foi sustentada por Brunelleschi até que fosse aceita.

Detalhe dos anéis
Estrutura da cúpula da catedral
Salvadori, Mario. Why Buildings Stand Up. WW Norton & Company. New York, 1990.

 

Detalhe da colocação dos tijolos
Desenho da colocação dos tijolos, por Brunelleschi
livro: "Brunelleschi"

      Assim, em 1420 Fillipo Brunelleschi e Ghiberti foram nomeados os co-arquitetos da cúpula da catedral. Foram escolhidos o barro e as dimensões para a produção de tijolos para a alvenaria. Fillipo Brunelleschi ainda supervisionou a queima desses tijolos, já que estes eram um outro ponto chave de sua idéia, pois dispostos de determinada maneira apoiavam-se uns aos outros durante o fechamento das paredes da cúpula, já que não existia qualquer tipo de escoramento.

Detalhe da colocação dos tijolos
Detalhe da colocação dos tijolos
Salvadori, Mario. Why Buildings Stand Up. WW Norton & Company. New York, 1990.

 

Detalhe da cúpula
Vista da cúpula
livro: "Brunelleschi"

 

      Junto à solução para a execução da cúpula, outras idéias, tão brilhantes e revolucionárias quanto esta, foram anunciadas por Brunelleschi. Ente elas a divisão da cúpula em duas partes. A primeira seria uma cúpula interna, espessa e em forma de concha, tendo em sua base 2 metros de espessura e em seu topo 1,5 metros. A segunda, externa, com o intuíto de proteção contra o vento, a água e qualquer tipo de intempéries, menos espessa e com uma forma mais majestosa. Entre as duas cúpulas, buscando facilitar a inspeção e acerto de reparos, foi construída uma escadaria curva, hoje muito utilizada para a visitação. Essas cúpulas eram reforçadas por 24 nervuras de arenito, sendo 8 delas definindo os vértices do octógono e, as restantes, menores e inseridas na estrutura, duas a duas nos lados do octógono.

Corredor do corredor entre as cúpulas
Corredor entre cúpulas
livro: "Brunelleschi"

 

Catedral de Florença
Catedral de Florença - planta e corte
Salvadori, Mario. Why Buildings Stand Up. WW Norton & Company. New York, 1990.

      Convergindo ao pico da cúpula, com aproximadamente 90 metros de altura, as principais pilastras se encontravam circundando um seraglio (pedra principal circundada por pequenas janelas), o qual ainda suportava a oca lanterna de mármore e ainda um telhado cônico.
      O grande peso da cúpula, através da rede de nervuras, era levado até a base do octógono, sendo que as 24 nervuras e as duas cúpulas recebiam o peso simultaneamente, a grande chave para a inacreditável solução.
      Desta forma a Catedral teve sua grandeosidade assegurada através do projeto de Brunelleschi, sem a utilização de arcobotantes, abóbadas ogivais e contrafortes, antes utilizados no período gótico, mas que deixaram de fazer parte da arquitetura renascentista.

 

 

Ficha Técnica

Nome  
Sistema Estrutural  
Função  
Localização  
Época da construção  
Projeto  
Execução  
Dimensões  
Material