Catedral de Beauvais

 

Catedral de Beauvais
Vista interna da Catedral
José Bracons. Saber Ver - Arte Gótica. Martins Fontes, São Paulo, 1992.

     Localizada a 60 km ao norte de Paris, a Catedral de Beauvais, também conhecida como a Catedral Inacabada, se destaca pela sua grandiosidade, mesmo tendo apenas o coro e dois transeptos construídos.

 Localização de Beauvais
Localização de Beauvais
Salvadori, Mario. Why Buildings Stand Up. WW Norton & Company, New York, 1990.     

 

  Corte
Corte da Catedral
Salvadori, Mario. Why Buildings Stand Up. WW Norton & Company, New York, 1990.   

      Destruída pelo fogo em 1180 e 1225, a Catedral, antes no estilo românico, teve sua reconstrução iniciada em 1225. O primeiro mestre construtor tabalhou na catedral por 20 anos e nesse período, além de construir sólidas fundações para a catedral e erguer as paredes do deambulatório até o nível das naves internas,  utilizou seu grande conhecimento de engenharia e de arte projetando a catedral com uma maior luminosidade devido ao incremento de distância entre pilares (chegando a 8.22 m longitudinalmente) e elevando a altura de suas abóbadas a 48 m, permitindo assim maior entrada de luminosidade na nave através de seus clerestórios iluminados (um desafio para a época, pois as paredes do clerestório foram substituídas por vitrais, estes sem resistência alguma).
      Depois do trabalho de 5 anos do segundo mestre construtor (também desconhecido), a construção foi assumida por um terceiro mestre, o qual terminou a construção do coro e do deambulatório em 1272.

 

     Porém, sem qualquer aviso prévio, em 1284 ocorreu a queda das abóbadas do coro, destruindo parcialmente a catedral e, junto com as abóbadas, caíram por terra as aspirações ao gigantismo da arquitetura gótica.
      A causa da queda da estrutura é desconhecida até os dias de hoje, porém existem algumas hipóteses, dentre elas: a má qualidade da alvenaria do terceiro mestre construtor ou, como sugeriu Robert Mark, a ação do vento na lateral da estrutura da igreja causando sobrecarga e assim o colapso da estrutura.
      A reconstrução do coro, no estilo gótico e considerado modelo de perfeição com vitrais de 18 m de altura, se deu entre 1322 e 1337, justamente quando o quarto mestre construtor (também desconhecido), atribuindo à elevada distância entre os pilares a queda da estrutura, decidiu construir pilares intermediários entre os pilares da nave (pilares com hachura cheia no esquema ao lado). Apesar de muitas críticas, a colocação desses pilares não interferiu na beleza interna da catedral, porém, estruturalmente transformou as abóbadas do coro, antes quadripartidas, em hexapartidas (vide figura) fazendo com que fossem necessários novos pilares externos, entre os arcobotantes.

     


Planta da Catedral .
Planta da Catedral
Salvadori, Mario. Why Buildings Stand Up. WW Norton & Company, New York, 1990.

 

Bg06.jpg (13795 bytes)
Movimento da torre

      A Guerra dos 100 anos e a ocupação inglesa interromperam o trabalho por 150 anos. Após esse período, em 1500, Martin Cambiges, o quinto mestre construtor, deu início à construção dos transeptos, os quais foram acabados em 1532, já sob comando do sexto mestre construtor, Jean Vast.
      Com a catedral ainda inacabada, já que a nave ainda não havia sido construída, decidiu-se construir uma torre no cruzeiro. Após muita discussão sobre se a torre seria de madeira ou de pedra, em 1558 optou-se pela construção de uma torre de pedra, a qual foi iniciada em 1564 e terminada em 1569, atingindo uma altura de aproximadamente 151 m.
      Dois anos depois, os pilares centrais do cruzeiro que suportavam os esforços da torre demonstravam sinais de desgaste devido à sobrecarga. Estes pilares começaram a pender no sentido da nave, que, por ainda não estar construída, não fornecia apoio para a torre neste lado (vide figura). Foi então sugerida a imediata construção da nave buscando gerar esse apoio. A construção da nave teve seu início em 17 de abril de 1573; treze dias depois, a torre veio abaixo. Felizmente, neste momento os fiéis estavam em uma procissão fora da catedral, e, milagrosamente, nenhum perdeu a vida no acidente.

 

      Desafiando, aparentemente, as leis da gravidade, a catedral apresenta, assim como as demais catedrais góticas um complexo esquema estrutural baseado em abóbadas de arcos pontiagudos e arcobotantes. Estes elementos estruturais possibilitaram que as paredes laterais da nave fossem mais altas e esbeltas, já que transferiam os esforços horizontais gerados pelo telhado, abóbadas e vento para contrafortes na periferia da igreja (vide sistema estrutural).

          A torre nunca mais foi reconstruída e, em 1605,  decidiu-se deixar a construção inacabada por uma série de motivos, entre eles: já haviam gastado todo o orçamento da construção e o estilo gótico já tinha perdido seu espaço, visto que já se estava então em pleno Renascimento, com a construção das igrejas sendo feita em outro estilo.

Foto da catedral
Foto aérea da catedral
Postal

.



Ficha Técnica

Nome Catedral de Beauvais
Sistema Estrutural Abóbadas ogivais, arcobotantes, pilares e contrafortes
Função Catedral
Localização Beauvais, França
Época da construção Séculos XIII ao XVII
Projeto Jean Vast e outros mestres construtores desconhecidos
Execução Jean Vast e outros mestres construtores desconhecidos
Dimensões 8.22 m entre pilares longitudinais e abóbadas com 48 m de altura
Material Alvenaria de pedra com argamassa