ESTÁDIO OLÍMPICO DE MUNIQUE

 

 

Figura 1
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            Em 1966, Munique foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional para sediar os XXs Jogos Olímpicos de 1972. A cidade não dispunha de nenhuma infra-estrutura esportiva que pudesse abrigar o evento, havendo apenas uma grande área plana e inabitada a quatro quilômetros do centro. Esta área, conhecida como Oberwiesenfeld (Fig. 2), abrigou durante a 2ª Guerra Mundial um aeroporto militar da Wehrmacht (forças armadas alemãs), e demonstrava ser o local ideal para a realização dos Jogos Olímpicos.

 
Figura 2
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            Com o objetivo de criar um ousado complexo esportivo que contemplasse todas as atividades esportivas dos Jogos, o governo alemão lançou em 1967 uma competição internacional entre arquitetos. Dos 102 projetos inscritos, o proposto por Günther Behnisch & Partners, de Stuttgart, foi de longe o mais ambicioso, convencendo o júri. Entretanto, sua grande complexidade exigiria a criação das mais diversas soluções técnicas, o que deixou os organizadores do evento desconfiados com a viabilidade do projeto.

            A idéia principal do espetacular projeto era a construção de uma enorme tenda sobre as instalações, com leveza estrutural e possibilitando harmonia com o terreno ao redor (Fig. 3). Devido a sua distinta e moderna estética, muitas pessoas a descrevem como uma teia de aranha, caracterizando uma arquitetura biomorfa, e outros mais críticos a comparam a um enorme saco plástico descartável.

  

Figura 3
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            A cobertura estende-se desde o estádio principal até o centro aquático, abrigando também o rinque de patinação e o Sports Hall (arena poliesportiva) (Fig. 4). Os painéis transparentes que a compõem se apóiam numa extensa malha de cabos de aço que por sua vez se encontra pendurada a mastros localizados externamente às instalações, valorizando os espaços internos e aumentando a sensação de leveza. Na figura 5 pode ser vista a união da malha aos mastros, feita por cabos de aço presos em pontos estratégicos, definindo o formato único da estrutura. Além dos mastros, a cobertura também se prende diretamente ao solo através de ancoragens por cabos de aço tracionados, garantindo maior rigidez à estrutura (Fig. 6).

 

 
 
Figura 4
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Figura 5
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Figura 6
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            Os arquitetos só foram convocados para a construção das instalações olímpicas em março de 1968. No entanto, nada sobre a polêmica cobertura havia sido realizado até junho daquele ano, quando Frei Otto, chamado como consultor pela Günther Behnisch and Partners, redefiniu as curvas e as formas que são vistas hoje na cobertura do estádio.

            O desenvolvimento das tecnologias necessárias para a construção movimentou o ambiente científico assim como um programa espacial. As equações de estática envolvendo 10.500 incógnitas (número expressivo para a época) foram resolvidas por Fritz Leonhardt e Wolfhard Andrä. O Instituto de Estruturas Leves (Institut für leichte Flächentragwerke) da Universidade de Stuttgart formou especialistas neste novo assunto, que agora aconselhavam o experiente Frei Otto.

            Apesar de todos concordarem que a cobertura deveria ser suportada por uma malha de cabos de aço com 75x75 cm, o material dos painéis ainda era uma disputa. Frei Otto propôs painéis de concreto leve reforçado com polímeros. Outros propuseram madeira laminada recoberta com feltro e folha metálica. Entretanto, as empresas de televisão insistiram que não deveria haver uma grande diferença de luminosidade entre as partes coberta e descoberta do estádio, o que levou à escolha de painéis de acrílico transparente. Em destaque nas figuras 7, 8 e 9, estes painéis de 2,90x2,90 m são fixos nos pontos de intersecção com a malha de cabos de aço, separados por juntas de neoprene para permitir maior mobilidade. O desempenho deste material é questionável, já que o conforto térmico abaixo da cobertura ficou prejudicado e a durabilidade dos painéis foi estimada em apenas 15 anos.

 

Figura 7
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Figura 8
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Figura 9
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   Chegando a 80 metros de altura, os 12 mastros foram projetados para suportar, junto às ancoragens, a cobertura com sua sobrecarga crítica, a neve (Fig. 10, 11 e 12). O maior problema enfrentado nas fundações deveu-se ao fato de que sua construção foi iniciada antes do término do projeto da cobertura, o que no final resultou em elementos não utilizados e desperdício de material e dinheiro.

 

Figura 10
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Figura 11
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Figura 12
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            As peças que atuam como nós na malha de aço da cobertura e em sua conexão com os mastros e ancoragens foram projetadas individualmente para cada tipo de solicitação e configuração (Fig. 13 e 14). Seus moldes de madeira ou espuma esculpidos manualmente permitiram o ressurgimento e o desenvolvimento da indústria de moldagem de aço.

 

Figura 13
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Figura 14
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            Mais de seis milhões de horas de trabalho entre 25.000 pessoas vindas de 24 nações possibilitaram a construção em tempo recorde de três anos (Fig. 15 e 16). Sete milhões de metros cúbicos de solo movimentados, 400.000 metros cúbicos de concreto, 40.000 toneladas de aço, 40.000 metros cúbicos de madeira, são alguns dos expressivos números que totalizaram US$ 1,2 bilhões (cifras atuais) em investimentos, dos quais US$ 120 milhões somente para os painéis de acrílico da cobertura.

 

Figura 15
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Figura 16
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            Em 26 de agosto de 1972, tudo estava pronto para a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, na qual 80 000 pessoas estiveram presentes, estabelecendo o recorde de público no Estádio, já que sua capacidade foi reduzida para 69 300 por motivos de segurança.

            Com mais de 157 milhões de visitantes pagantes desde sua inauguração, o Estádio Olímpico de Munique é um pólo que atrai não só turistas e admiradores de sua arquitetura única, como a população de Munique, que utiliza as instalações para o esporte e o lazer (Fig. 17).

 

Figura 17
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Ficha Técnica

Nome Estádio Olímpico de Munique
Sistema Estrutural Tensoestrutura
Função Eventos esportivos e culturais
Localização Munique, Alemanha
Época da construção 1968 - 1972
Projeto Günther Behnisch & Partners - Frei Otto
Engenheiro Estrutural Jörg Schlaich
Dimensões Área Coberta:                                          74 800 m²

Público:                                                       69 300

Material Aço e painéis de acrílico

 

 

            As fotos a seguir complementam as apresentadas no texto acima e permitem um melhor entendimento do funcionamento da estrutura.

 

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Bibliografia

 

-          Architectural Design 1972, volume 42 p.477;

-          Architectural Forum 1972, volume 137 p.26;

-          STADIA - A Design and Development Guide, G. John e R. Sheard, p.10, 50, 51, 71, 75;

-          The Art of Structural Engineering, Alan Holgate, p.64;

-          Acier.Stahl.Steel, 1974, p.113;

-          www.behnisch.com;

-          www.architecture.com;

-          www.stanford.edu;

-          www.lap-consult.com;

-          www.olympiapark-muenchen.de;

-          www.olympia72.de;

-          www.greatbuildings.com;

-          http://en.structurae.de;